Desde o dia em que marquei minha festa de casamento, pensei que gostaria de fazer uma cerimonia que incluísse pessoas queridas na produção e tivesse pouco impacto no meio ambiente, dentro do possível. Queria um casamento sustentável, então fui aos poucos e sem pressa procurando fornecedores que se alinhassem a isso.

Sei que as festas têm muito impacto e muita estrutura por um único dia, e isso me incomoda. A minha festa foi para 250 pessoas, numa fazenda que já tinha a pegada e o respeito ao meio ambiente (chama Fazenda das Cabras) e isso me ajudou bastante.  Uma das coisas importantes para mim era estar perto da natureza, mas não ter que montar tudo do zero para depois desmontar.

Seguem ideias do que eu fiz, algumas delas por menos lixo e outras buscando uma vida mais simples, mas todas no eixo de relações mais humanas ♡ .

Convite – evite ao máximo. O papel é desnecessário e, honestamente, ninguém vai guardar seu convite para sempre, a não ser talvez sua mãe. Eu fiz um convite online para todo mundo, com excessão de familiares mais próximos ou mais velhos que receberam um convite de papel-semente que depois poderia ser plantado. A empresa tinha uma preocupação com o tipo de tinta que usou para não danificar as sementes. Eu sugeri que as pessoas plantassem em casa ou levassem para a festa o convite, que eu plantaria depois. Quem fez o desenho do convite foi uma tia querida.

Papelaria (menu ou papeizinhos de recados que possam ter pela festa) – papel semente. Escolhi a semente de rúcula que muita gente gosta. Após o uso, o papel pode ser plantado.

Plantas – quase 90% das plantas da festa foram de vaso, isto é, se mantiveram plantadas. Eu não queria nada que ficasse só na água ou que fosse cortado e morresse logo depois da festa. Boa parte da decoração foi feita com temperos nos vasos, que depois poderiam ser usados. Deixei um recado avisando para os convidados que eles poderiam levar todas as plantas para casa após a festa. O legal foi que recebi mensagens de convidados que cuidaram das plantinhas mesmo muito tempo depois do evento.

Chinelos – ao invés de comprar os tradicionais chinelos de borracha, fui atrás de uma alternativa diferente, que reaproveitasse algum material e fosse feito por pequeno produtor. A solução foram chinelos de pneu feitos pela Saissu, em parceria com produtoras da Várzea Queimada, no Piauí. O recadinho explicando isso era com papel semente.

Doces – convidei amigos e familiares para fazerem seu doce preferido e trazerem para a festa. Parecia que daria tudo errado, mas tudo se ajeita. As pessoas ficaram felizes de poderem participar, e senti muito amor nas entregas. Fiz plaquinhas com os nomes de quem tinha feito cada doce. O bom foi que, dessa forma, quase todos os doces vieram em tigelas, como arroz doce e brownie, e sem forminha nem embalagens desse tipo. As que precisaram de forminha, comprei de juta, um material mais sustentável.

Decoração – aluguei tudo que precisava e evitei coisas de plástico. Dessa forma, tudo foi retirado depois, sem gerar lixo.

Buquê da noiva – minha mãe que montou. Escolheu as plantas que achava que seriam especiais pra mim.

Cerimônia – meu pai e o avô do Beto fizeram a cerimônia, e nós dois também fizemos um discurso.

Compensação de carbono – queria compensar a energia gasta no casamento, pra isso, tinha uma planilha onde registramos todo o lixo gasto, o quanto de energia, quantos carros, quem chegou de avião, quilômetros percorridos, quantidade de comida e tudo mais. Depois enviei para uma empresa (a Iniciativa Verde), que compensou o carbono emitido, plantando árvores. As emissões daquele dia totalizaram 13,65 toneladas de gases de Efeito Estufa. Convertendo esse valor para árvores nativas, significaram 87 mudas de Mata Atlântica plantadas em Extrema (MG).

Reciclagem – todo o lixo da festa foi dividido entre reciclável e não reciclável, para que a cooperativa próxima pudesse buscar depois. (O ideal seria ter separado em três e deixado o orgânico para compostarmos, mas na época não me ocorreu).

A banda – meu marido montou de surpresa uma banda só com amigos, familiares ou conhecidos com experiência, incluindo o mestre da capoeira, que fazia uma batuque especial.

 

Algumas fotos: 

 

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