Entrevistamos a Adriana Charoux, estrategista sênior do time de Amazônia do Greenpeace, para falar sobre a relação entre Meio Ambiente e consumo de carne. Foi esclarecedor para entendermos por que consumir menos carne ajuda a preservar a floresta em pé. Aqui vai um resumo do bate-papo:

Mais de 60% do que foi desmatado na Amazônia hoje é ocupado por pastos, sendo eles produtivos ou não.

Ao longo dos últimos anos a pecuária tem aumentado de forma muito violenta na Amazônia e é a atividade que mais causa desmatamento na Floresta. Essa atividade anda de mãos dadas com várias outras questões sérias como trabalho escravo, violência e conflito de terra.

Você sabia que temos mais cabeça de gado do que pessoas no país? Isso porque somos cerca de 210 milhões de habitantes. É muito gado! Praticamente todo município no Brasil tem produção de gado, é um modelo produtivo tradicional no Brasil, mas na Amazônia essa atividade tem crescido de forma vigorosa nos últimos tempos.

O cultivo de soja é outra questão bastante importante pois está se expandindo muito e é outra fonte de desmatamento. Nós já perdemos quase 50% do bioma de cerrado brasileiro para a soja. Esse bioma é muito importante pro país porque tem é onde nascem muitos dos rios que abastecem o Brasil e outros países vizinhos (por exemplo os rios Paraguai e Tapajós) – tanto que é chamado de caixa d’agua.

No caso da Amazônia, perdemos 19-20% do bioma cerrado para a soja.

Atenção: essa soja serve principalmente para fazer ração de gado. Quer dizer, estamos desmatando para plantar soja para alimentar o gado que vai nos servir de alimento! Whaaat? Mesmo se essa soja fosse para nos alimentar, ainda assim não é o ideal para o meio ambiente pois:

  • As monoculturas fazem mal para o solo
  • Mais de 90% da soja brasileira é transgênica e tem uso de agrotóxicos (ou seja, veneno).

Nós também exportamos essa ração para fora: China, Europa e em certa medida para os Estados Unidos também.

Quer dizer, o Brasil viabiliza um modelo produtivo global de muita proteína animal. E essa quantidade de proteína animal tem causado muita emissão de gás de efeito estufa, principalmente por conta da mudança de uso de solo.

Dar lugar de vegetação, de ecossistemas naturais, para a produção em larga escala de soja ou gado é uma forma de produzir gases super nocivos ao meio ambiente.

Aliás, o desmatamento é o maior fator de geração de gás de efeito estufa do Brasil – e nós estamos entre os quinze países que mais emitem esses gases no mundo.

E o que nós como indivíduos podemos fazer diante desse cenário?

Principalmente diminuir o consumo de carne. Quanto mais pessoas diminuirem o consumo, mas haverá uma pressão para que haja uma diversificação nesse uso da terra.

Sempre mantendo em mente que o tamanho da pecuária e da produção de soja no Brasil é principalmente uma escolha dos governos, uma escolha política e uma escolha das empresas.

A gente deixa de plantar alimento para pessoas, para plantar alimento para bichos, que vão alimentar pessoas, mas de uma forma insustentável.

O Greenpeace tem um papel muito importante nesse cenário. O trabalho da organização é expor e constranger quem realiza danos ambientais. Desde 2009 a ONG vem pressionando frigoríficos e supermercados a comercializar alimentos livres de desmatamento, o que é um trabalho bastante árduo.

É muito importante que haja apoio da população nesse sentido.

Temos aqui algumas sugestões que como ajudar nessa luta:

  • Pressionar empresas por transparência em toda a cadeia de produção
  • Se questionar sempre: de onde veio esse alimento? Questionar a empresa que comercializou também
  • Fazer escolhas mais conscientes – alimentos orgânicos, carne de procedência divulgada – o quão mais perto for a origem do alimento, melhor.
  • Compartilhar essas informações e trazer a discussão para as rodas. Vamos divulgar!
  • DIMINUIR O CONSUMO DE CARNE!

Vamos juntxs?

Saiba Mais:

https://www.greenpeace.org/brasil/

Qual testamos?

Temos aqui algumas sugestões que como ajudar nessa luta:

  • Pressionar empresas por transparência em toda a cadeia de produção
  • Se questionar sempre: de onde veio esse alimento? Questionar a empresa que comercializou também
  • Fazer escolhas mais conscientes – alimentos orgânicos, carne de procedência divulgada – o quão mais perto for a origem do alimento, melhor.
  • Compartilhar essas informações e trazer a discussão para as rodas. Vamos divulgar!
  • DIMINUIR O CONSUMO DE CARNE!

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