Estamos em 2021 e ainda ouvimos muito a pergunta “peixe também?” quando dizemos que não comemos carne.

Para falar a verdade, é uma pergunta compreensível.

Por mais que hoje exista muita informação a respeito do vegetarianismo, e o veganismo seja um movimento cada vez mais crescente, ainda não há tanta informação circulando a respeito da indústria da pesca. Por que parar de comer peixe também?

Os problemas atrelados à carne vermelha são fáceis de encontrar com uma rápida pesquisa, inclusive por aqui. De qualquer forma, vale lembrar:

  • Segundo o Greenpeace, a maior parte das áreas desmatadas da Amazônia é ocupada por pastagens para a pecuária. Além disso, a atividade é responsável pelo maior índice de emissão de gases do efeito estufa no Brasil. A pecuária também é um dos setores com maior número de flagrantes de trabalho escravo na Amazônia.
  • Isso sem contar com as questões de saúde. De acordo com o Hospital Albert Einstein, o consumo de carne vermelha em excesso está relacionado ao aumento dos riscos de doenças do coração, como infarto e insuficiência cardíaca, e de câncer, principalmente de intestino.

Tá, mas e o peixe com isso?

Aqui é onde entra a recomendação do documentário Seaspiracy, sobre os problemas da indústria da pesca.

Desde seu lançamento gerou controvérsia e polêmica, visto que questiona o trabalho de diversas ONGs e de selos de conservação marinha, além de abordar questões problemáticas como a matança de golfinhos no Japão.

Esta matéria do The Guardian, por exemplo, diz que houve reclamações por parte dos entrevistados – representantes de Ongs – de que o documentário os interpretou de forma equivocada e que contém informações enganosas. Eu particularmente acredito que um documentário expondo uma indústria tão importante e suas problemáticas deve conter acertos e erros, várias versões que precisam ser melhor ouvidas, mas trazer o filme é fundamental para dar luz ao tema. É uma obra “barulhenta” e cheia de apontamentos que vale a pena assistir para tirar as próprias conclusões.

Por que assistir

Todos os anos a indústria da pesca é responsável pela destruição de enormes áreas de ecossistemas marinhos e também pela matança de golfinhos, tartarugas e outros animais recolhidos “acidentalmente” durante as pescas. Essa prática, de capturar espécies que não estão no alvo, recebe o nome de “by-catch” em inglês ou “captura acidental” na tradução, que de acidental não tem nada.

Isso acontece principalmente quando redes gigantescas de pesca são arremessadas de forma violenta nos oceanos para capturar tudo o que passar por elas. Além dos trilhões de peixes capturados, essa prática é responsável por matar cerca de 300 mil baleias, botos e tartarugas e centenas de milhões de tubarões todos os anos.

Essas informações estão explicadas também nessa matéria publicada em março deste ano na National Geographic falando especificamente sobre a pesca de atum. A matéria é em inglês, mas traz recursos visuais que mostram muito bem como o processo de “captura acidental” acontece e aponta que de fato alguns selos de conservação marinha trabalham a favor da indústria.

O documentário também fala sobre os problemas com os criadouros artificiais, como o de salmão – cujos peixes sofrem com diversas doenças no cativeiro, já perderam a cor e hoje recebem pigmentação artificial para ficarem laranjas, entre outros. Expõe também a questão do trabalho análogo ao escravo que ocorre em 47 países e, claro, o problema do lixo no mar: 46% do lixo no Oceano Pacífico é composto por instrumentos de pesca.

É quase a metade de todo lixo encontrado no Pacífico!

Além disso:
– um a cada cinco peixes consumidos globalmente são pescados de forma ilegal
– A matança de tubarões está prejudicando todo o ecossistema marinho, fazendo com que todas as espécies da cadeia sejam prejudicadas
– Todas as espécies de tartarugas marinhas existentes estão em risco de extinção por conta de atividades humanas como poluição plástica, caça e a “captura acidental”

Há muitas outras informações na obra, como o caso das Ongs e selos que dizem proteger os Oceanos mas estão envolvidas na indústria de alguma forma e também a questão da falta de fiscalização da atividade da pesca. Não quero trazer essa parte aqui pois a ideia é fazer com que você assista, e também porque na minha opinião tudo que foi apontado até agora já é o suficiente para embasar a decisão de cortar – ou diminuir – o consumo de peixe. “Apontar o dedo” não é o nosso objetivo.

E por que os Oceanos e a vida marinha são tão importantes para nós?

O documentário traz dados que mostram que:

  • 8 de 10 respirações que fazemos vem do oxigênio fornecido pelos Oceanos.
  • Os Oceanos contém 97% da água na Terra e cobre 70% do Planeta
  • 94% de toda a vida na Terra é aquática
  • Algas marinhas capturam e seguram mais carbono do que as florestas

Como a maior parte dos documentários com temática ambiental, no final da obra há sempre um direcionamento apontando o que podemos fazer para diminuir todas essas questões. No caso, o que é apontado como a nossa parte na equação é parar de consumir peixe.

Nós sabemos o quanto uma atitude como essa pode ser difícil de ser tomada e o quanto muitas vezes sentimos que nosso papel é pequeno demais para fazer a diferença. Mas não.

Tomar uma atitude como a de acabar ou diminuir bastante o consumo de peixe é muito mais do que uma forma de ir contra essa indústria. É tornar o seu corpo uma  “vitrine” dos seus ideais, onde cada vez que você rejeita um peixe, traz a discussão para a mesa. Com a sua simples recusa você pode estar influenciando e conscientizando pessoas. E se mais e mais gente se conscientizar, uma revolução pode acontecer. É assim que funcionam as microrrevoluções. Sim, a sua parte faz toda diferença.

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Ah! E se pintar aquela vontade louca de comer comida japonesa tente  opções que trazem inovação estilo comida japonesa (em São Paulo tem o Sushimar Vegano , a gente AMA)! Busque na sua cidade opções veganas, elas são muitas vezes surpreendentes!

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