Vou contar como eu, Clara, mudei radicalmente minha rotina de cuidados com o corpo e com a pele. Eu gastava de R$200 a R$400 todo mês com produtos de beleza, quando não extrapolava. Hoje eu gasto metade ou um terço disso e não é, nem por acaso, todo mês. Além disso, era viciada em maquiagem e não conseguia ir nem para a padaria de cara limpa. Hoje, para eu passar alguma maquiagem preciso de um motivo muito concreto.

Esse processo todo não foi da noite para o dia, na realidade eu acredito que tenha levado cerca de um ano. Para fazer essa transição de uma skincare (ou cuidados com a pele) baseada no consumo de produtos da moda para uma skincare baseada em autoestima e ingredientes naturais, o processo não é tão rápido assim.

Assim como nada na vida aparece numa linha do tempo de forma clara e precisa, o tempo dessa minha transição também não foi tão claro, mas eu posso dizer que começar o Verdes Marias me ajudou muito.

Em 2016 eu trabalhava como jornalista na TV Globo, namorava e morava numa casa bem linda. Acontece que eu não gostava do meu trabalho e não estava muito satisfeita com a minha vida. Decidi largar o emprego, o relacionamento e a casa para estudar atuação. Para isso, eu precisei me conhecer – estudar atuação é essencialmente se estudar. Foi por causa desse processo de auto-conhecimento que minha relação comigo mesma começou a mudar.

Passei a entender o meu corpo. Esse corpo é o único que eu tenho e eu preciso gostar dele antes de qualquer outra pessoa. Até porque as outras pessoas estão muito ocupadas nesse exercício com os seus próprios corpos – se gostar não é uma coisa que todo mundo consegue fazer. O meu corpo quem precisa cuidar e amar sou eu. Aí eu reparei que quando a gente ama de verdade o nosso corpo a gente sente menos vontade de cair nas tentações de comer porcaria, passa a querer se alimentar melhor, beber mais água, dormir melhor. Esse já é um passo e tanto.

Uma vez eu ia fazer um teste e lembro de ouvir das produtoras de elenco que aquele lápis que eu passava debaixo dos olhos (todos os dias inclusive) mudava o meu rosto, e lembro de pensar: “mas eu quero mudar o meu rosto para melhor“. Até que um dia eu me perguntei: melhor para quem? De acordo com quem? E a ficha caiu: O mundo faz a gente achar que a gente não é bonita o suficiente, porque querem nos vender maquiagem. Nos fazem crer que não temos um corpo legal, porque querem nos vender chás emagrecedores, pílulas, roupas de academia. Fazem a gente achar que a gente não é o suficiente o tempo todo para nos vender itens que nos ajudem a ser. Só que esses itens não ajudam, porque não é de fora que a sensação de pertencimento vai vir. Ela vai vir é de dentro. Cabe a nós identificar isso e lutar contra. A arma? Nossa auto-estima. 

Tem um bate-papo incrível sobre isso aqui. A autora do livro “Substitua Consumo por Auto-estima” trouxe esses mesmos pontos numa conversa super rica.

Me conhecendo

O sistema capitalista funciona assim. Tudo pelo dinheiro. E estamos tão plenamente inseridos nesse sistema que já nem o percebemos mais. Com a nossa auto-estima alta, nos sentimos empoderadas e não dependemos de produtos ou maquiagem, gostamos de quem somos – não queremos parecer com a modelo da foto.

A primeira sessão de fotos que eu fiz depois que essa ficha caiu foi muito marcante pra mim. Era um desafio eu topar ser fotografada quase sem maquiagem, mas eu decidi tentar. E eu amei o resultado. Aquela história de pedir para um fotógrafo fazer um ensaio nosso para mudar a perspectiva sobre nós mesmos, na minha opinião realmente funciona. A minha irmã (Carol) foi a fotógrafa, e ela foi muito sensível de pegar detalhes dos meus fios de cabelo caindo no rosto, ou um momento em que eu sorri com os olhos, minha gargalhada. Me achei mesmo linda, do meu jeito. E de fato não tem a ver com o conceito de beleza, porque é relativo. Tem a ver com o se amar, se gostar, querer ser quem somos.

Microrrevoluções

A partir daí, as evoluções foram muitas! Passei a me interessar melhor pelos produtos que usava na pele (sempre amei os cremes da Victoria’s Secrets, que hoje sei o quanto são lotados de parabenos e tudo quanto é ingrediente ruim), testar alternativas mais naturais, os shampoos em barra. Foi um verdadeiro processo. Um processo libertador, porque eu era mesmo refém dos meus produtos. Acordava e já passava lápis, corretivo nas olheiras. Sempre pintei o cabelo de loiro, imagina a grana que eu poderia ter usado em outras coisas, viagens! Imagine o quanto de químicas pesadas essas tinturas não tem! Hoje eu amo a cor do meu cabelo, acho que combina super com os meus olhos, com o meu tom de pele.

Foi no Verdes Marias que aprendi a passar frutas no rosto, óleos vegetais, fazer máscara de argila. Percebi que sempre que como doces minha pele fica de um jeito que eu não gosto, então coloco na balança se aquele chocolate vai valer a pena na minha pele (às vezes até vale rsrs). O shampoo em barra é outro caminho sem volta.

A Mari sempre fala que os shampoos comuns fazem tanta coisa no nosso cabelo que ele não fica mais como ele é de fato, aí compramos um monte de cremes e sprays para tentar melhorar o que os shampoos fizeram e vira um verdadeiro ciclo de consumo e insatisfação. Com o shampoo em barra feito com ingredientes naturais – depois do devido tempo de adaptação – o nosso cabelo volta a ser o que ele é e ficamos livres daquela prateleira lotada no banheiro.

Mas aí eu volto naquele ponto: queremos que o nosso cabelo seja o que ele é de fato (crespo/ liso/ enrolado/ cheio/ sem volume/…) ou queremos parecer algo que não somos? Isso depende dela: da nossa auto-estima. Por isso, o que eu mais aprendi nesse meu processo é que é preciso se amar muito antes de migrar para a beleza natural. Aí então é uma liberdade que não tem volta!

Qual testamos?

Marcas que gostamos de maquiagem natural (quando temos motivos para maquiar! Rsrs)

Onde compro óleo vegetal orgânico para pele:

E aqui está a minha rotina completa de beleza natural: aqui

2 comentários para “Como larguei a maquiagem e outros produtos”

  1. Shirlei Oliveira disse:

    Amei Clara….graças aos vídeos de vcs no Tik Tok estou aqui conhecendo e aprendendo um pouco mais sobre sustentabilidade, comecei a reciclar o meu lixo e assim que puder, ja vou comprar uma composteira.

    1. Mariana Moraes disse:

      que legal, ficamos muito felizes

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