Eu, Clara, ganhei um presente de natal e tive que ir ao shopping trocar. Foi um baque pois eu não ia ao shopping havia meses, quiçá mais de ano, e eu não lembrava qual era a sensação.

Entrei em contato com uma lembrança de mim, de como eu era consumista, e resolvi contar como consegui sair desse lugar até chegar no Verdes Marias.

Entrar num shopping é entrar em um lugar todo voltado para o consumismo. Claro que existem cinemas e praças de alimentação, mas o objetivo principal desses edifícios é o da comercialização. Uma vitrine atrás da outra, uma iluminação que faz parecer dia em qualquer horário, cores, brilhos e letras nos incitando a abrir a carteira. As lojas ‘gritam’ implorando por nossa atenção, como este e muitos outros trabalhos apontam, é só dar um google.

Acabamos entrando em um estado de espírito diferente, no ‘modo consumidor’, e passamos a desejar coisas cuja existência muitas vezes nos era desconhecida. Ficamos à par do que está sendo consumido por aí. Queremos pertencer, parecer belos diante dos olhos alheios e compramos aqueles itens. O inconsciente coletivo nos coloca que para pertencer, precisamos daquelas coisas. E quanto mais as nossas coisas revelem um alto nível social, melhor ficamos diante dos outros.

Compramos, compramos e compramos. Não existe um momento em que dizemos: “ok, essa é a última calça que eu compro.” Claro que há momentos em que as nossas calças ficam gastas ou pequenas e realmente precisamos trocar. Mas essas são exceções. Se vemos um par de calças encantador, super descolado, compramos, mesmo que nós já tenhamos o suficiente em casa. É apenas o modus operandi do sistema capitalista/consumista no qual estamos inseridos.

Eu vivi hipnotizada por muito tempo. Até 2016 eu trabalhava ao lado de um shopping e ia almoçar lá quase todos os dias. Estava sempre em contato com as vitrines e consumia muito. Minha família ficava sempre angustiada em me ver gastando tanto dinheiro com itens que eu tinha de sobra no meu armário. Eu nem percebia. As amigas, as redes sociais, as novelas, as revistas, tudo te diz que aquilo está certo, que é normal – e nos chamam a fazer mais.

A chave começou a virar para mim depois de uma grande mudança na minha vida.

Em 2016 eu larguei aquele meu emprego ao lado do shopping (eu era jornalista na TV Globo), terminei meu relacionamento e fui estudar atuação. Essa área exige muito auto-conhecimento, pois é impossível atuar sem se conhecer profundamente.

Quando essa imersão em mim mesma começou, ficou muito evidente que esse traço consumista era uma anomalia que eu vinha alimentando. Passei a buscar a espiritualidade e nesse mesmo período minhas irmãs me chamaram para começar o Verdes Marias. Tudo encaixou.

Nos meus estudos, retiros e imersões eu fui aprendendo a gostar de mim como eu sou. Fui aprendendo a encontrar dentro de mim a satisfação que a vida toda estive buscando fora (nas compras inclusive). Aprendi a meditar, a fazer yoga, entrar em contato com a minha intuição. Aprendi reiki, kabbalah, Ayurveda. E todos esses conhecimentos te levam para dentro.

Então, minhas irmãs disseram que para a gente começar as Verdes Marias eu precisaria mudar alguns dos meus hábitos. Assim, elas me desafiaram a doar 30% do meu armário. Eu aceitei porque casava muito com o que eu estava vivendo, mas não foi fácil desapegar das minhas coisas.

Assisti documentários sobre minimalismo, a série da Marie Kondo e fui aprendendo a importância daquele ato.

Conforme eu fui tirando as peças do armário, eu fui me sentindo mais leve, mais livre, melhor. Aquilo foi me deixando muito feliz. Eu entendi que ter menos coisas nos deixa mais felizes do que ter mais. Aquilo também teve um efeito de me fazer desejar menos. Eu já não frequentava mais shoppings e não caía nas hipnoses das redes sociais. Foi um baque dos bons!

Hoje, quando eu realmente preciso de alguma peça, recorro à: brechós, bazar de trocas, armário das irmãs e amigas ou aluguel de roupas. Dificilmente eu compro uma peça zerada.

Fazer parte desse movimento tem me ensinado muito. Me livrei dos quilos de maquiagens e cosméticos que comprava – porque me sinto ótima como eu sou e não quero mais colocar pequenas doses de veneno no meu corpo. Falamos sobre isso aqui e aqui. Essa transformação só me trouxe mais paz.

Quando a gente olha mais para dentro, entende que cuidar de nós mesmos também é cuidar do Planeta em que vivemos e todas essas mudanças que citei falam muito sobre isso. A moda é uma das indústrias mais poluentes do mundo, depois da agropecuária. A indústria dos cosméticos além de poluir muito o planeta, também faz mal para a nossa saúde. Os produtos que achamos o máximo muitas vezes estão cheios de ingredientes cancerígenos e tóxicos.

O mundo quer que estejamos insatisfeitos com nós mesmos, para consumirmos mais. Você já parou para pensar nisso? Uma mulher plena e satisfeita consigo não precisa de tantos produtos e não gera lucro para as indústrias. Que tal no lugar de compras, a gente começasse a ir atrás de aprofundamento, de auto-conhecimento, de mais relações e conexões reais?

Esse meu relato pessoal é um convite para você revisitar o seu armário e se perguntar se você quer mesmo fazer parte dessa mentalidade tão prejudicial ao Planeta. Você precisa mesmo de tantas coisas?

Que tal começar doando 30% do seu armário?

 

 

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